17 abril 2011

Registro XVII












O signo estanca
a boca em silêncio partido.
Faço cruzes
com o fulgor dos olhos.
Ensaio uma prece
de dentes que batem
contra a pedra sagrada.
Juro a pureza sonhada
em minha simplicidade rota,
poída.

Minha vontade é tosca,
o meu silêncio é bravo.
Vocifera lírios,
esbraveja afagos.
O signo me marca em fogo,
faço cruzes com o tremor dos dedos
que se desfazem rápidas
sobre a pressa entrecortada
dos dias.

Depois a navalha corta meus feixes,
as ramas guardadas para alívio.
Meu sangue coagula
e nesse estranho milagre
de vida parada que segue
a terra rompe
e o ar esfria em sinal de perdão.

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