22 maio 2011

Registro XXXII

E se eu arasse
tua carne-paisagem
com lâminas afiadas
e jorrasse um leite
escuro e grosso, esverdeado
misturado à terra, pedregulhos,
lascas de folhas secas
e fosse assim o morredouro
de tuas esperanças?

Mesmo assim devastada
com palavras e sentimentos
macerados, a paisagem-carne
torna a ser limpa, calma
e o que sempre foi: paisagem.
É que o vale tem tanta fé dentro dele
que é vale sem saber.
Transcorre sobre sua
própria existência.

Um comentário:

  1. Paisagem....... paisagem........ paisagem......... não muda ........... não muda.......... pronto, agora mudou, foi só sair do lugar....


    Um abraço seu cabra.

    HiGuchim

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