27 junho 2011

Registro XLII

Há de ser no prado as bodas de Caio.
O girassol quebrado, lá viceja.
As dobras da encosta,
no infinito do vale,
todas lisas,
engomadas de paciência e louvor.
Caio, ferro em brasa,
passando a limpo as delicadezas,
as maçãs, os morangos,
dentro e fora da manhã morna.

Há de ser no prado os suspiros,
o café bem quente na caneca azul,
a erva amorosa, a paz do domingo,
a cura para a fome das cigarras,
o estouro delas,
o estertor das canções de dentro.

Sinal da cruz eu faço ao vento
em qualquer brecha de sol
que me incendeie.
Há de ser no prado, em mim,
feito telha após a chuva,
a vida gotejando.

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