O que de tuas agonias
eu trago, adorado?
O silêncio em dobro?
A garganta-abismo seca
engolindo a vida?
O que de tuas farpas
eu carrego, amado?
O tombo da lisura,
os estertores, o copo cheio,
goles turvos
insondáveis?
Eras um ser e eras outro.
E eu nem sei ser
o teu espelho avesso,
a tua ruga presa
no canto de olhos sombrios.
O que de tuas esperanças me condena?
Tentar amar de novo?
Um fruto deglutido, casca-saliva,
semente, um outro-eu-auto-retrato?
De tuas linhas seis desenhos
põem-se em andamento
no traço daquilo
que o teu oculto determina.
O que de tua morte é minha vida?
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