07 abril 2011

Registro XIII







Eita vago que não cabe no bolso,
na perna, na intenção!
Um tamanho que não alcanço
nem com pulo de atleta forte e viçoso.
Silêncio sujo de boi ruminando erva.
Diante dos meus olhos,
uma solidão se costura à paisagem
concreta da cidade.
É em mim que transpassa a agulha fina,
como em linho preso, amassado.
Pregas de estanho, bússolas desenganadas,
cacos de cor, vidro opaco na calçada.
Vitral de tudo o que tenho,
tudo o que vejo, tudo o que cheiro,
tudo o que bocejo.
Colcha de delírio molhado
de sexo a noite, mão solitária,
sono sem sonho.
Não consigo cheirar a fumaça
do cigarro ao lado.
Não consigo respirar limpo nos campos.
Onde meu lugar se encontra
nessa hora transtornada?
Eita que tristeza encalhada!

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