10 abril 2011

Registro XV

Aos poucos o mar se aproxima.
Seu sargaço, há tantos anos distante,
agora beira a minha ansiedade.
Seu cheiro, sua cor lodacenta,
as gavinhas moles,
feito aranhas gelatinosas,
já roçam meus medos.

Adiante um horizonte azul
limpinho
e corais preciosos
que abraçarão minha chegada.
Aos poucos a praça,
a gente curiosa, a mãe aflita,
suas varizes grossas
e sua circulação interrompida
novamente em fluxo.

Aos poucos o suor de cada dia,
metáforas,
sonhos discorridos,
sabores reencontrados.
Aos poucos poemas com sotaque,
retorno esperado.

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