12 julho 2011

Registro XLV

As lembranças de Luiz, todas,
nas histórias de coração ressentido,
no arrependimento tardio
pelo sonho confiscado.
Culpas pintadas de roxo
e retratos que dizem
o que não ouvia Luiz.
Casa, comprimento, pito, saudade.
As rugas de hoje
descobrindo o incomensurável
desperdício de amor.

Seu pai, costela quebrada.
Ninguém diz que ama Luiz.
Ele, tempo doce e frágil por dentro,
só queria gestos leves,
de vez em quando um não cuidadoso
e a resposta: por que meu Deus?

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