Estive em tua casa.
Os feixes, os grãos todos antigos, lodosos.
Teus gestos invisíveis me atravessando,
vela cansada tremulando uma dança casual.
Ouvistes meu canto, meu lamento?
Pousei a mão sobre tua casa.
As paredes, as portas todas fechadas,
intransponíveis para mim por ora.
Foi o mais perto que cheguei de ti
para ouvir o teu silêncio
em tuas margens de rio que me cruzam.
Fui ao quintal imaginário.
As frutas, os doces
saborosamente revelados,
anunciavam ternuras sem conclusão.
Estive em teu lugar de ser para sempre.
Fui pelo tempo que não se conta,
em partículas de amor inabalável,
sem véus, só promessas.
Sem objetos, só interlúdio.
E essa música que ensinas ao vento
é própria do nosso encontro.
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