Baobá azul em minha insônia,
seculares os olhos estendidos
nas pontas de teus dedos.
Vês o outro lado por mim,
do tempo que te deu essa esperança?
Se no porto de tuas raízes fundas
há remédio,
quem te vê, Baobá azul,
repensa a alma?
Eu, na gosma de teus sumos,
nutro de cascas o meu tronco espumoso.
Mesmo não sendo largo e profundo,
com a ponta dos olhos,
olhando o que vem vindo –
morrendo –
viverás ali molhado de séculos
e eu rasgado de segundos?
Baobá azul, na espera por musgos
escoa o teu tempo em minha lisura.
O cravo fincado no cheiro azul
de minha memória
germina por mim a tua semente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário