Ato um de vida prescrita:
o que fazes tu da tua?
Os rabiscos na janela,
traçam uma lua sorridente
que gesticula prata
em fundo azul cinzento,
cristalizado.
A contradição das cores sobrepostas,
o que me dizem?
Ato dois de alma tocada:
acredita! Através do desejo
podes precipitar a humanidade,
precipitar a ti mesmo.
A mim que largo minha táboa segura
de vida amena e lanço-me
onde mais me pareço encontrado
e sangrento, e sobreposto.
Queria agulhas finas e longas
para tocar a languidez
da bolha translúcida
que envolve os mistérios.
Pareço flutuar minhas bolhas,
careço coragem para atravessá-las
sem rompê-las.
Ato três de louco engolidor
do mundo (e frágil):
exercita a grande alma!
Também eu corro ao jardim e acaricio,
o que não vejo em meus olhos secos
e o que vejo com eles.
Retorno para casa com um milagre refeito.
Os milagres que fazemos, loucos por vida.
Aproximo-me da janeja e mesmo nas rachaduras,
nas entranhas da vidraça,
reconheço... reconheço... reconheço.
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