14 maio 2011

Registro XXV

Fiquei perdido
olhando a mulher lavar
o que sobrou
de suas roupas
nas mesmas águas da enchente.
Era esfregar a carne exposta
na lâmina que fez o corte.
Era exaurir a morte
em sua própria lava
para, limpinha,
esperá-la novamente.
Era o retrato do perdão.
O corpo batido na pedra
até sair toda nódoa.
A  mulher saiu limpa
e eu atordoado,
sem saber onde esconder
minhas mágoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário